Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

21/01/2017

DIÁRIO DE BORDO: Pensamento do dia

«In a time of deceit telling the truth is a revolutionary act.»
George Orwell 

Dúvidas (183) - O que quer ele dizer com isso?

Expresso Diário
Disse aquele senhor que está agora nas Necessidades e que gosta de «malhar na direita». Ou, pelo menos a jornalista do Expresso diz que ele disse. Imagino que a nova administração dos EUA deve ter respirado fundo e ficado aliviadíssima.

Talvez a criatura não tenha percebido a diferença entre ser apparatchik do agitprop (pode-se abandonar o trotskismo mas o trotskismo nem sempre nos abandona) e ser responsável pela diplomacia portuguesa. No contexto da diplomacia e em diplomatiquês o que ele disse significa que Portugal (enfim, a geringonça) poderia estar habilitado a ter reservas a uma nova administração do maior aliado português livremente escolhida pelos seus eleitores.

O que diria o MNE se a nova administração dos EUA declarasse que não tinha nenhuma reserva em relação ao governo socialista da geringonça suportado (nem sempre) por comunistas, estalinistas, maoístas, trotskistas, bombistas e vários outros istas?

20/01/2017

CASE STUDY: Trumpologia (9) - Aprendendo com Nixon

Mais trumpologia.

Uma sugestão do Economist Espresso para o discurso inaugural de Donald Trump (que ele não seguiu):

«Dado o humor amargo e zangado da época, um bom exemplo também poderia ser o discurso inaugural de Richard Nixon de 1969 que, num país à época atormentado por protestos, tumultos e violência, argumentou» 
"A América tem sofrido com a febre das palavras; da retórica inflamada que promete mais do que pode cumprir; de uma retórica irritada que fãs descontentes convertem em ódios ... Não podemos aprender uns com os outros até que paremos de gritar uns com os outros".

CAMINHO PARA A INSOLVÊNCIA: Costa e Tsipras, a mesma luta? (2)

Continuação de (1)

25-01-2015
António Costa. "Vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha"

17-01-2017
O défice em 2016 é o «mais baixo da democracia»

18-01-2017
Grécia garante meta orçamental mesmo com bónus nas pensões

Porquê a retórica da luta contra a «austeridade» foi substituída pela «obsessão neoliberal» do défice? Simples, meu caro Watson, porque o propósito de Costa e Tsipras não é resolver os problemas dos respectivos países (neste ponto não são nada originais), o propósito deles é manterem-se no poder (neste ponto continuam a não ser nada originais).

A originalidade está apenas em ambos subordinarem o propósito de resolver os problemas dos respectivos países ao propósito de se manterem no poder de uma forma original: comprarem as suas clientelas eleitorais com o dinheiro que ambos esperam continue a fluir dos contribuintes europeus, para o que estão condenados a manterem a eurocracia sossegada cumprindo os défices, sabe-se lá como - no caso de Costa, assimassado, frito e cozido.

19/01/2017

A mentira como política oficial (31) - A cair, diz Caldeira Cabral

Negócios

Fonte: Banco de Portugal
Mais facilmente cairá Caldeira Cabral nas escadas do n.º 15 da Rua Horta Seca do que a dívida pública. E falando de queda, se me é permitido um conselho, CC, com o seu fácies de Calimero, deveria precatar-se e instruir o seu public relations para não exagerar na distribuição de fotos pelos jornais, a propósito de qualquer inocuidade que a criatura bote da boca para fora, o que faz dele o ministro mais fotografado - ora veja-se esta galeria de poses.

A mentira como política oficial (30) - A «terceira via» de Costa


Fontes: recorte dos jornais indicados; quadro (simplificado) de Francisco Veloso publicado no negócios.

18/01/2017

CASE STUDY: O pensamento económico da Mouse School of Economics à luz do revisionismo de Costa

Como se sabe, o pensamento económico de Costa seria, se Costa tivesse um pensamento económico para além da sua inspiração na Banda do Casaco («Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos»), fundado na doutrina dominante da Mouse School of Economics.

E o que nos diz essa doutrina dominante? Várias coisas, mas fiquemos pelas mais importantes: incentivando o consumo (mesmo o de bens importados) a economia cresce; seja qual for o investimento, nomeadamente o investimento público, o multiplicador socialista converte o investimento em PIB k vezes (em auto-estradas k=18); a produtividade aumenta quando aumentam os salários.

Daqueles princípios resultam vários corolários, mas fiquemo-nos pelos mais importantes: o défice das contas públicas (a «obsessão» pelo défice é um dos crimes do neoliberalismo) e o défice das contas externas são irrelevantes («ninguém analisa a dimensão macro da balança externa do Mississipi ou de qualquer outra região de uma grande união monetária», disse sabiamente Vítor Constâncio por voltas de 2000); a «aposta no investimento público» e «numa estratégia assente em baixos salários (não) conseguiremos ser competitivos» (disse com igual sapiência Costa, um destes dias).

Inexplicavelmente, Costa na sua governação abandonou os três primeiros corolários, fixando-se obsessivamente no défice orçamental, anunciando todos os dias grandes «realizações» do seu governo em matéria de contas externas, dedicando uma importância inesperada às exportações (onde até o presidente dos Afectos também tem «feelings») e deixando cair o investimento público ao nível de 1995. Do pensamento da Mouse School of Economics resta-lhe, pois, o aumento dos salários para melhorar a competitividade. Passando das palavras aos actos aumentou o salário mínimo.

CROIS LE OU PAS: A Paris, sous l'égide du bouffon en chef

«Israel-Palestine peace talks: Descending into farce 

A gabfest involving diplomats from some 70 countries discussing peace between Israel and Palestine, held in Paris over the weekend, did not include Israel or Palestine. Officials aimed their rhetoric at Donald Trump while calling for an increasingly unlikely two-state solution. Reactions were muted: Israel’s government is distracted by a corruption scandal. The meeting felt less like a conference than a farewell tour of an ageing rock band.»

Foi isto que a Economist escreveu no seu Daily Dispatch a propósito da fantochada parisiense promovida por François Hollande.

17/01/2017

TIROU-ME AS PALAVRAS DE BOCA: Transformar o Estado social num Estado clientelar

«Mas o que fazem (PS, PCP e BE), de facto, é outra coisa: aproveitar a assistência financeira do BCE para distribuir rendas por grupos de dependentes do Estado, com os quais esperam cerzir uma “base social de apoio”. Assim se está a transformar o Estado social num Estado clientelar, isto é, num Estado onde os serviços públicos são menos importantes do que o emprego público

«Porque é que não pode haver oposição?», Rui Ramos no Observador

ARTIGO DEFUNTO: Como trespassar a falha de duas pernas de um tripé para uma quarta perna

«No enquadramento clássico do regime, o PCP e BE estavam fora do arco governativo por razões óbvias. Os obituários de Soares reavivaram essas razões. Nesse quadro, a direita, sobretudo o PSD, estava sempre presa a uma ética de responsabilidade tramada: estava na oposição, mas era sempre chamada à pedra nas horas h - caso contrário, o PS não conseguia governar e cairíamos num cenário à I República. Ora, foi este arranjo clássico que Costa destruiu para se manter no poder. António Costa rasgou décadas de convenções entre PS, PSD e CDS. Foi Costa que destruiu todas as pontes. Que pontes pode agora o PSD percorrer para chegar até Costa, que, para se aninhar no colinho da extrema-esquerda, queimou as regras não escritas que garantiam um mínimo de respeito entre PS e PSD? Por outras palavras, Costa libertou o gordinho. Já não há gordinho, porque já não há arco governativo. 

Se PCP e BE não estão ainda preparados para governar, então temos de ir de novo para eleições, por muito que isso irrite o Marcelinho dos afetos. Esta é a grande questão política. Até porque metade do país não pode ser tratada como o gordinho em quem se pode bater em impunidade. Costa desrespeitou a direita através da maior traição política em décadas. E agora exige à mesma direita que apareça desprovida de orgulho para lhe aprovar uma lei? Isto é transformar o maior bloco político, social e cultural do país (a AD, ou PaF) numa flor na lapela do PS. Não é aceitável nem desejável. A democracia não pode ser o pátio onde o rufia com boa imprensa faz o que quer.»

«O gordinho», Henrique Raposo no Expresso Diário

O tripé que precisa de apoio
O trespasse da responsabilidade pela recusa de duas das três pernas do tripé suportarem a geringonça, no que respeita à redução da TSU para compensar o aumento do salário mínimo, negociada pelo governo na Concertação Social, violando os acordos com o BE e os Verdes, para uma quarta perna (o PSD) é provavelmente uma das «reversões» mais extraordinárias que Costa e o PS conseguiram até agora. Quarta perna contra a qual as outras três há um ano construíram um tripé chamado geringonça.

É claro que não é tudo mérito de Costa. Uma parte é mérito do tripé do jornalismo de causas que infesta as redacções ter funcionado convenientemente, porque todos estavam interessados em entalar o PSD para não ficarem entalados e colocando em risco a geringonça face à evidência do voto contra de comunistas e bloquistas.

16/01/2017

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (66)

Outras avarias da geringonça.

Como escrevi a semana passada nesta crónica, o milagre da multiplicação da devolução de rendimentos da geringonça tem-se dado sobretudo nas importações de bens duradouros. No mês de Novembro as importações totais aumentaram 8,4% e, apesar do aumento das exportações, o défice comercial subiu 91 milhões em relação ao mesmo mês do ano passado e ficou em 781 milhões,

Por isso, os bancos privilegiam o financiamento do consumo e da compra de habitação (mais de 5 mil milhões até Novembro para comprar casinhas) e fica para trás o financiamento das empresas que diminuiu, o que de resto seria expectável quando se sabe que o investimento produtivo privado está em queda.

ACREDITE SE QUISER: Conflito de interesses? Qual conflito de interesses?

«Rio veio esta semana defender a nacionalização do Novo Banco. Não deixa de ser curioso que o mesmo seja presidente do conselho de administração de uma empresa do fundo Vallis, um dos maiores devedores do... Novo Banco.»  (Expresso)

15/01/2017

Nem todos os obamas de Obama fazem felizes os obamófilos: episódio (85) – Atrás de mim virá quem de mim bom fará

O anterior post anunciado como o último episódio de uma longa série não foi o último. Talvez seja este.

Rasmussen Reports
Se depois de 8 anos na Casa Branca, os americanos sentirem a falta de Barack Obama deve-se mais ao seu sucessor Donald Trump do que à bondade das suas políticas.

DIÁRIO DE BORDO: a passarada que me visita (29)

Felosa-comum ou felosinha (Phylloscopus collybita) tomando o seu brunch às 11:30 da manhã