Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

27/08/2016

A metalúrgica do regime afunda-se com ele (9)

Actualização de (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7) e (8)

Recordando: A Martifer, dos irmãos Martins, em tempos um dos exemplos de sucesso de José Sócrates e uma das meninas dos olhos do jornalismo promocional (uma variante do jornalismo de causas), mesmo depois de ter sido acolhida em 2007 pela Mota-Engil, a construtora mais emblemática do regime, de que foi presidente executivo Jorge Coelho, teve mais 137 milhões de euros de prejuízos em 2014 e estava desde Abril do ano passado a tentar vender 55% da Martifer Solar que contribuiu com metade dos prejuízos do grupo.

Foi agora alcançado o acordo de venda de 55% da Martifer Solar à francesa Voltalia. A Martifer Solar foi avaliada em de nove milhões de euros, uma fracção do que lá foi torrado.

Assim continua a purga dos 6 anos do festim socrático e se consuma mais um episódio da defesa dos centros de decisão nacional.

ARTIGO DEFUNTO: A arte de bem titular (9)

Factos:
  • O défice até Julho diminuiu 543 milhões de euros em relação ao mesmo período do ano passado, devido ao aumento maior da receita (2,8%) do que o aumento da despesa (1,3%), em contabilidade pública;
  • As cativações e outros expedientes estão a ser usados para minimizar a despesa em contabilidade pública;
  • As receitas, despesas e défice que interessam para Bruxelas (e para Lisboa, não fosse a manipulação das mentes levada a cabo pela geringonça) são em contabilidade nacional para a qual os expedientes são neutros;
  • A maioria dos impactos resultantes da re-governação da geringonça é no 2.º semestre, por exemplo IVA da restauração, reposição de cortes de salários, novas contratações e horas extra para compensar a redução do horário para 35h, etc. (*)
Leiam-se, à luz destes factos, os títulos de alguns jornais:
  • «Défice encolhe mais de 500 milhões mas receita com impostos abranda» - Público
  • «Défice caiu 543 milhões de euros» - Económico
  • «Retenção na despesa mais do que compensa desaire nos impostos» - Diário de Notícias
  • «Marcelo considera "boa notícia" redução do défice orçamental» - Negócios
  • «Défice diminui até Julho» - Jornal i
(*) No «etc.» podemos encontrar uma profusão de receitas sobre-orçamentadas e despesas sub-orçamentadas como, por exemplo, entre as primeiras, a receita do ISP como muito bem se faz notar neste comentário.

26/08/2016

NÓS VISTOS POR ELES: Visto de fora, sem o nevoeiro da imprensa amiga, vê-se melhor

Why Portugal could be Europe’s next economic disaster


“A major bond selloff upon a downgrade could force Lisbon to apply for help again” Holger Schmieding, Berenberg

Spanish success, Portuguese risk

Encalhados numa ruga do contínuo espaço-tempo (68) - Saudades do regime corporativo (II)

Continuação de (I)

«Médicos recusam dezenas de vagas no interior e no Algarve, titula o JN. Nos Hospitais da Guarda, Covilhã e Castelo Branco só apareceram 9 candidatos para 61 vagas de especialistas. No Algarve ficaram por preencher 31 dos 73 lugares. Um caso que mostra bem o problema das assimetrias geográficas de um país tão pequeno.» (Expresso)

«Os responsáveis do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) acreditam que o reforço remuneratório na Caixa Geral de Depósitos (CGD) foi uma das 'terapêuticas' adequadas para evitar a 'sangria' de funcionários para os concorrentes privados e reclamam que o tratamento seja administrado também ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), a padecer da mesma maleita.» (Expresso)

Quando leio estas histórias, recordo aquele responsável pelo plano quinquenal soviético que numa visita a Londres se manifestou surpreendido pelo facto das padarias londrinas não parecerem ter dificuldade em abastecer de pão os londrinos e estes não pareciam ter dificuldades em abastecer-se, e quis conhecer o departamento do planeamento inglês que fazia um trabalho tão bom.

ACREDITE SE QUISER: Trump & Sócrates terão coisas em comum?

Terão mais coisas, mas uma é indiscutível: ambos gostam tanto dos livros por si escritos mandados escrever que os compram às resmas.

Com uma diferença, Sócrates, proprietário de umas casinhas e com umas contas na Suíça (diz serem do amigo), gastou 170 mil euros para comprar metade dos 20 mil exemplares, ou seja 8,5 euros por peça. Trump, proprietário de casinos e torres, mais dotado, digamos assim, gastou 55 mil dólares para comprar cerca de 4 mil a $13,75 cada.

Em conclusão, se é verdade o que dizem os boatos sobre os problemas de tamanho de Trump e se, como disse Ortega y Gasset, o homem é o homem e a circunstância, e, digo eu, se a circunstância não ajuda, o homem tem de empertigar-se, então Sócrates precisou mais de empertigar-se do que Trump.

Para quem pretender aprofundar o assunto remeto para este case study.

25/08/2016

Chávez & Chávez, Sucessores (51) – Maduro, o herdeiro de Chavéz, & Erdogan, diferentes mas iguais

Outras obras do chávismo.

Termina hoje o prazo que Nicolás Maduro fixou à administração pública e às empresas estatais para demitir todos os gestores que assinaram uma petição para um referendo para o demitir. A oposição, que está a pressionar para o referendo ter lugar até o final deste ano, diz que alguns trabalhadores já foram despedidos. Este tipo de assédio dos funcionários públicos faz lembrar os tempos de Hugo Chávez, o antecessor do Maduro. Em 2004 ele aprovou a publicação de uma lista de 2,4 m pessoas que assinaram uma petição para um referendo contra ele; muitas dessas pessoas perderam os seus empregos. Numa altura em que a inflação está descontrolada, é uma tentativa desajeitada de um presidente impopular para imitar a táctica que pode não funcionar. Perder um salário público miserável é hoje muito menos importante do que nos tempos de Chávez. (Fonte: The Economist Espresso)

Note-se como regimes autocráticos aparentemente tão diferentes como o socialismo bolivariano e o estado muçulmano de Erdogan, usam o aparelho de estado como instrumento de opressão dos seus opositores.

Pro memoria (315) – a nacionalização do BPN não custou nada e o nada vai já em 4,5 6,5 7 9 mil milhões (X)

Posts anteriores (I), (II), (III), (IV), (V), (VI), (VII), (VIII), (IX) e (X)

Em retrospectiva: Teixeira dos Santos, co-autor com José Sócrates do desastre da nacionalização de um banco que valia 2% do mercado, ainda em 2012, decorridos 4 anos da sua decisão fatídica, justificava a inevitabilidade da sua decisão porque não custaria nada e a falência do BNP, segundo ele, levaria à quebra do PIB em 4%.

Já que estamos a recordar, recordemos que a nacionalização do BPN foi entusiasticamente apoiada pelo Berloque na pessoa do seu Querido Líder Louçã, agora semi-aposentado, o que não impediu sete anos depois a sua sucessora Querida Líder Catarina Martins dizer com grande descaro que o Novo Banco «é cada vez mais o novo buraco (...) e cada vez lembra mais o BPN».

Essa nacionalização para Teixeira dos Santos não custaria nada aos contribuintes, segundo a última versão publicada pelo Expresso, o semanário do regime que à época da nacionalização seguiu solícito a opinião oficial e oficiosa, o nada andará agora pelos 9 mil milhões de euros, dos quais 5 mil milhões já torrados e 4 mil milhões enfiados nos veículos que gerem os restos do BPN.

E por onde andam os 9 mil milhões, perguntareis? Segundo a esquerdalhada foram «destruídos» pela banca, segundo o presidente Marcelo devem ter-se «evaporado», como a crise. Evidentemente ninguém está interessado em mostrar que estes milhões e os outros são, como aqui exemplifiquei, o custo dos elefantes brancos públicos e privados do regime promovidos pelos seus amigos, custo suportado não pelo Estado, mera instância de extorsão, mas pelos contribuintes, também adequadamente chamados sujeitos passivos.

Pro memoria (314) – «Novas oportunidades», a re-posição

Recordam-se do programa socrático «Novas Oportunidades» que até 2011 torrou 1,8 mil milhões de euros para distribuir diplomas que não valem nem o papel em que estão impressos e que nem um empresário analfabeto impressionariam?

Pois bem, no seu afã de re-pôr, a geringonça ressuscita o programa «Novas Oportunidades» mudando-lhe o nome para «Qualifica», propondo-se gastar 50 milhões por ano para emitir diplomas.

Nada surpreendente, na concepção socialista da educação combate-se o analfabetismo funcional atribuindo um diploma ao analfabeto funcional em troca de uma estória da vida dele. De caminho atinge-se «a meta de 40% de diplomados entre 30 e 34 anos» (Expresso).


Se fosse ministro da Educação da geringonça (vade retro satana!), inspirava-me na anedota de Milton Friedman e, em vez de dinheiro, lançaria diplomas a partir dos helicópteros dos bombeiros aproveitando a época morta dos incêndios.

24/08/2016

ACREDITE SE QUISER: Berloquismo defende «mulheres com deficiência de foro mental» pessoas do género feminino com deficiência intelectual da exploração capitalista

O BE tem uma nova causa: a defesa de «quatro mulheres com deficiência de foro mental» contra a sua exploração na «oficina das hóstias, no Instituto Monsenhor Airosa, em Braga. Duas, numa sala, escolhem partículas usadas na eucaristia. Outras duas, noutra sala, partem e separam aparas, iguaria cada vez mais apreciada como aperitivo.»

Uma responsável do Instituto confessou o crime e admitiu que as pessoas do género feminino «além de participar em actividades lúdicas, como natação ou zumba, colaboram nas actividades da casa».

Chamada de atenção politicamente correcta:
O Público, que publicou a referida notícia, deve enviar as suas jornalistas à universidade de Verão do BE para participarem no «comboio de massagens» e aprenderem o newspeak PC, como exemplifico neste post.

Olimpíadas Socialistas

KAL's cartoon, Economist

SERVIÇO PÚBLICO: Impertinências que outros escreveram e nós temos pena de não ter escrito

«O choradinho olímpico» - João Miguel Tavares, no Público, desmistifica a mendicância medalhística.

«10 Erros sobre o turismo em Lisboa» - Tomás Belchior, no Insurgente, desmistifica as teses da ciência de causas de um geógrafo PhD.

23/08/2016

ESTÓRIA E MORAL: A maior prova de insanidade

Estória

«Solução para o "Brexit" é mais integração, defendem Renzi, Merkel e Hollande»


Era uma vez uma sociedade que durante décadas de vacas gordas se foi alargando e integrando novos sócios. Chegaram as vacas magras e a sociedade está em crise. Um dos sócios decidiu sair e outros dividem-se entre os que estão descontentes por receberem de menos e os que estão descontentes por pagarem de mais.

Três sócios fundadores reuniram-se e decidiram que a solução será fazer a mesma coisa mais depressa e com mais intensidade.

Moral

«Fazer todos os dias as mesmas coisas e esperar resultados diferentes é a maior prova de insanidade» (Albert Einstein, Benjamin Franklin ou Rita Mae Brown, um deles disse isso).

A mentira como política oficial (20) – Primeiro estranha-se, depois entranha-se

Com vista a combater a evasão fiscal, a geringonça pretendia meter o bedelho nas contas bancárias dos «ricos», nome que os socialistas aplicam à classe média que não depende do Estado Sucial e paga 3/4 dos impostos. Primeiro a coisa ficou escondida na Lei do Orçamento do Estado para 2016 sob a forma de uma autorização legislativa.

Depois quando o governo se preparava para criar o dispositivo legal necessário mandou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Tributários falar em nome do Fisco ficando a perceber-se que o governo pretendia conhecer os saldos das contas de todos os sujeitos passivos. Como isso gerou um certo borborinho, o governo apressou-se a esclarecer que essa informação apenas respeitaria aos indígenas com contas bancárias com saldo igual a 50 mil euros ou superior.

Como o borborinho continuasse, a geringonça mandou dizer através de fonte não reveladas (e o Observador vai nessa) que «pretende cumprir os compromissos internacionais do Estado português nesta matéria e reforçar os mecanismos que são internacionalmente considerados necessários como meios de combate à fraude e evasão fiscal, ao branqueamento de capitais e ao financiamento da criminalidade organizada e do terrorismo».

Na verdade, a directiva comunitária que cria esses controlos só se aplica aos estrangeiros residentes em Portugal e aos portugueses residentes no estrangeiro e não a todos os portugueses.

SERVIÇO PÚBLICO: A geometria não euclidiana do GES

Diagrama do Expresso
Esquema montado durante pelo menos duas décadas por Ricardo Salgado e a sua clique, com numerosos cúmplices pela acção e pela omissão, para fazer circular e multiplicar o dinheiro.

22/08/2016

Mitos (239) - A troika deixou os portugueses mais pobres e mais desiguais

Há dois anos, com base em dados do período 2007-2011 do estudo da OCDE «Rising inequality: youth and poor fall further behind», Insights from the OECD Income Distribution Database, June 2014, desmontei neste post a parte do mito antes da intervenção da troika, demonstrando que nesse período:
  • em relação aos rendimentos disponíveis as desigualdades diminuíram;
  • os mais afectados foram os ricos; 
  • os idosos tiveram ganhos nos rendimentos disponíveis;
  • a «austeridade neoliberal» foi menos penosa do que a «austeridade socialista» do Dr. Soares
Agora, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, o Expresso num artigo intitulado «Pós-troika: mais poder de compra e menos desigualdades?», com um extraordinário ponto de interrogação supérfluo pelos dados citados no texto e só explicado pela doutrina oficial do jornalismo de causas, vem reconhecer que «após três anos de troika, o mercado de trabalho em Portugal sofreu algumas alterações. Já depois da intervenção externa no país, o salário mínimo subiu e também os rendimentos médios tiveram uma melhoria. Houve uma subida de 4,5% em dois anos. Ou cerca de 3,2% em termos reais».

Como explicar que, contrariamente à lengalenga e ao discurso da esquerdalhada, os portugueses estejam hoje melhor do que antes do início da crise em 2008 e, sobretudo, depois de 4 anos de intervenção da troika?

Fonte: Trading Economics

A resposta é dada pelo diagrama que mostra que entre 2007 e a actualidade a dívida pública portuguesa duplicou, significando que o Estado português fez uma redistribuição do rendimento à custa dos credores, nomeadamente FMI, BCE e CE. Em conclusão, os portugueses estão melhor hoje porque Portugal está pior, o que significa que os portugueses estão melhor no presente à custa de ficarem pior no futuro.

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: A igualdade a todo o custo custa a liberdade e sem liberdade há mais desigualdade

«Em Portugal, não há uma economia privada, uma sociedade civil ou uma classe dominante que dirija o país e comande o Estado. É o contrário. Sempre foi. À esquerda ou à direita, com interesses nacionais ou estrangeiros e com ou sem a Igreja, é o Estado que comanda. Por isso é tão frequente encontrar quem exerça o poder com o Estado, pelo Estado e através do Estado. É um Estado para todas as estações. E todos os azimutes. Nas últimas décadas, o Estado fez a guerra e a descolonização, fez a revolução e a contra-revolução, nacionalizou e reprivatizou a economia.

(...)

O trabalho, a justiça, a cultura e a igualdade são valores de esquerda. Ou antes, também são de esquerda. Mas a liberdade vem à cabeça. Pelo menos com a esquerda democrática. Quando um partido ou um governo substitui, entre as prioridades políticas, a liberdade pela igualdade, não restam dúvidas: esse partido ou esse governo está a abandonar a democracia! A igualdade não é uma arma de luta pela liberdade. Com a igualdade, é difícil defender a liberdade. Pelo contrário, com liberdade, podemos combater a desigualdade. A liberdade é mesmo a principal arma de luta pela igualdade.»

Liberdade e igualdade, António Barreto no DN

Ocorre-me o pensamento de António Alçada Baptista que serve de epígrafe a este blogue:
«Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.»

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (45)

Outras avarias da geringonça.

É uma fatalidade. Só o governo acredita, melhor, diz acreditar, nas suas metas. A UTAO estima que a dívida pública tenha subido para 131,6% no fim do 1.º semestre já acima da meta do governo no final do ano (124,8%).

É claro que, com toda a naturalidade, a situação portuguesa vista de fora inspira as maiores reservas. Como ao Commerzbank que vê Portugal e Espanha em «planetas diferentes». É natural, basta olhar para o diagrama seguinte com os yields a 10 anos para ter de concordar com esse juízo que a gerigonça talvez possa ignorar. Contudo, já será mais difícil ignorar o que pensa a DBRS, a agência de rating que é a única a manter a dívida portuguesa acima do nível junk e dela depende o acesso ao crédito do BCE. E o que diz a DBRS? Diz que está «preocupada» o que em reitinguês quer dizer cuidem-se que estamos a considerar o downgrade.

21/08/2016

ESTÓRIA E MORAL: Os pastorinhos da economia dos amanhãs que cantam têm um défice estrutural de memória

Estória

Era uma vez um pastorinho da economia dos amanhãs que cantariam mas não cantaram e, pelos vistos, não cantarão. Chamava-se Nicolau Santos e tinha o blogue  «Keynesiano, graças a Deus», no Expresso, onde escrevia coisas que o John Maynard se ressuscitasse lhe diria Nicolau, Sir, you got stuck in the 30s.

Desta vez escreveu um artigo baptizado «O que dá vender empresas a estrangeiros». Escrevi baptizado, em vez de intitulado, em homenagem ao seu episódio com o vigarista Baptista da Silva que constitui o conto do vigário mas notável do século XXI, o que não é dizer pouco neste país onde há imensa gente a viver de contos do vigário.

Nesse artigo Nicolau Santos atira-se ao «hipermercado das ideias económicas (onde) há quem defenda que não interessa a nacionalidade de quem detém as empresas bla bla bla» e para demonstrar a justeza da sua tese, que parece ser a de que o que interessa é nacionalidade das empresas, apresenta dois exemplos, a PT e a Cimpor, com a mesma infelicidade que evidenciou a escolha de Baptista da Silva para demonstrar uma outra sua tese.

Quanto à PT, recordemos que o seu activo mais valioso (uma participação de 50% na Vivo) foi vendido à Telefónica pela agência Sócrates, Lula & Cª, por conta e ordem de Ricardo Salgado, para tapar o buraco do GES, em troca imposta pelo governo de Sócrates da compra de um chaço falido chamado Oi que servia de abrigo aos empresários amigos de Lula e que com esta operação se iniciou a irremediável queda do que Nicolau chama «uma bandeira de Portugal nos mercados externos», bandeira que, na verdade, se limitava à Vivo. Ver a este respeito os inúmeros posts do (Im)pertinências onde esta saga foi acompanhada.

Quando à Cimpor remeto para este post recordando que a Caixa, o lugar geométrico do socialismo bancário, e o BCP, nessa época dominado pela clique socrática que o assaltou, que detinham participações na Cimpor, aceitaram a OPA da Camargo à Cimpor e recusaram uma proposta de Pedro Queiroz Pereira, um empresário desalinhado do regime.

Por último, recordo que a venda dos ridiculamente chamados centros de decisão nacional foi levada a cabo pelos seus maiores defensores (ver a série de posts «A defesa dos centros de decisão nacional») por razões muito simples: a falta de capital português e o pesadíssimo e crescente endividamento ao estrangeiro, produto de várias décadas de desequilíbrio das contas externas resultante das políticas económicas das várias modalidades de socialismo «keynesiano».

Morais

Uma moral fabricada nos centros de decisão nacional: Nicolau foi buscar lã e saiu tosquiado.

Outra moral fabricada na pérfida Albion por Sir Fred Hoyle, um astrónomo com mais jeito para os provérbios do que para a astronomia: «Things are the way they are because they were the way they were».