Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
Lema: A verdade é como o azeite, precisa de um pouco de vinagre.
Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)

21/07/2017

ACREDITE SE QUISER: Babel no Pacífico

«Papua New Guinea: Speaking in tongues

India, with 22 official languages, is often considered the world’s most linguistically diverse place. In fact that prize goes to Papua New Guinea, a country of just 7.6m. Its 850-odd languages have between a few dozen and 650,000 speakers. The reasons for this variety are topography, which keeps villages isolated; a largely rural population; and fierce tribal divisions. But the growth of Tok Pisin, a creole, is threatening smaller languages.»

(The Economist Espresso)

20/07/2017

Chávez & Chávez, Sucessores (59) - Pajarito amigo, el pueblo de la jerigonza está contigo

Outras obras do chávismo.

Há dois anos que o pajarito não aparece a Maduro

Portugal, único país de la UE que descarta las sanciones a Venezuela
«Un informe de la delegación de la UE en Caracas apunta que 27 de los 28 Estados miembros están abiertos a dicha posibilidad» (El País)

Sem surpresa, o governo, pela boca do MNE que gosta de malhar na direita e acaricia a esquerda, nega que tenham sido discutidas sanções (nega algo que El País não afirma) (*) e diz que o governo «favorece uma solução política inclusiva na Venezuela». Não explica se a solução política inclusiva inclui Maduro, a nomenclatura e as milícias chávistas.

Também sem surpresa, o presidente Marcelo defende «o diálogo, um diálogo genuíno, um diálogo aberto, um diálogo sem condições, entre todos». Com muito afecto, poderia acrescentar.

(Fonte para a inclusão e o diálogo: a RTP)

(*) Actualização:
«MNE reagiu à notícia do El País para dizer que sanções à Venezuela não foram discutidas por ministros da UE. Mas a chefe da diplomacia europeia admitiu, no início da semana, que o tema foi abordado». (Observador)
Apanha-se mais depressa um coxo do que um mentiroso se o mentiroso tiver boa imprensa.

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (41) - Não há nem haverá crise, garantiu

Outras preces.

Encarnando um híbrido de Zandinga e de um professor de economia da Mouse School of Economics, Marcelo Rebelo de Sousa informou durante a sua visita ao México que «todas as análises de crise e todas as decisões sobre a crise passam pelo Presidente da República», e garantiu urbi et orbi que «não haverá razões institucionais que limitem a capacidade de crescimento», acrescentando «quando eu digo não haverá, não haverá».

O Marcelo de que estamos a falar é o mesmo Marcelo que uns meses antes de ser entronizado presidente do PSD também garantiu que «só se Cristo descer à terra» se candidataria. O mesmo Marcelo que garantiu ter havido o célebre jantar com Paulo Portas com vichyssoise de entrada. O mesmo que implicitou no início do mandato que só cumpriria o primeiro e está a fazer tudo para assegurar o segundo. O mesmo que garantiu a Isabel II que, com oito anos de idade, filho de um ministro de Salazar, estava na primeira fila da plebe que na Praça do Comércio a viu passar na visita a Lisboa em 1957. O mesmo que ainda garantiu a Isabel II ter-se encontrado com ela em 1985 como «líder da oposição». O mesmo a quem o «Presidente da República Federativa do Brasil, (...) pediu para ser recebido» mas não apareceu. O mesmo que em pleno incêndio de Pedrógão Grande garantiu que «tudo está a ser feito com critério e organização», para poucos dias depois garantir que se iria «apurar tudo, mas mesmo tudo, o que houver a apurar». Ainda o mesmo Marcelo que depois de ter minimizado o desaparecimento de munições em Tancos, veio dias depois defender «uma investigação que apure tudo, factos e responsabilidades». Ah!, já quase esquecia, o mesmo que garante que «não haverá razões institucionais que limitem a capacidade de crescimento».

É certo que a última e definitiva garantia «quando eu digo não haverá, não haverá» ultrapassa tudo o que a musa antiga canta, mas é compreensível que o presidente Marcelo se tenha ultrapassado a si próprio se porventura tiver circulado na auto-estrada mexicana daquela estória que também não sabemos se é verdadeira.

19/07/2017

Tiro (póstumo) nos pés de Teixeira dos Santos

Há 7 anos, um ano antes da chegada da brigada da troika, passaram pelo radar do (Im)pertinências dois artigos do NYT que então comentei neste post e agora transcrevo parcialmente:

«... fora do país e dos meios que têm um interesse directo em desvalorizar o risco de bancarrota portuguesa, o resto do mundo ou não presta atenção ou partilha quase sempre a antevisão duma tragédia grega. Num único dia, o NY Times, um bastião do politicamente correcto, insuspeito de antipatia pela causa da irresponsabilidade financeira, publicou dois artigos de muito mau augúrio para a economia e finanças públicas portuguesas: «Debt Worries Shift to Portugal, Spurred by Rising Bond Rates», de Landon Thomas e «The Next Global Problem: Portugal de Peter Boone e Simon Johnson, este último ex-economista chefe do FMI.

(...) A gravidade da situação de endividamento neste contexto é salientada pelo segundo artigo que estima que a uma taxa de juro optimista de 5% e com um défice primário de 5,2%, Portugal precisaria um agravamento fiscal de 10% o qual, sem uma impossível correcção monetária na Zona Euro, conduziria a um emprego socialmente devastador.»

Instruída por Teixeira dos Santos, a CMVM acusou então Boone, o primeiro autor do segundo artigo citado, de especular com a dívida pública portuguesa para obter mais-valias, uma vez que estava ligado à gestora de fundos Salute Capital Management. Foi então acusado pelo Ministério Público e, após vários anos a chocar a decisão, recentemente o tribunal ilibou-o sem julgamento. (Negócios)

Depois da decisão do tribunal, Peter Boone anunciou que iria processar o Estado português considerando que «foi uma caça às bruxas iniciada por uma declaração pública do antigo ministro das Finanças, professor Fernando Teixeira dos Santos, que se sentiu ofendido por eu ter questionado algumas das más decisões económicas que ele e os seus pares estavam a prosseguir». That's it!

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (22) - O berloquismo como pensamento paranóico/esquizofrénico totalitário

Em entrevista ao SOL, André Ventura, candidato à câmara de Loures pelo PSD, em resposta à pergunta «Recentemente disse que somos demasiado “tolerantes com algumas minorias”. De que minorias falava?», disse:

«Vou-lhe ser muito direto: eu acho, e Loures tem sentido esse problema, que estamos aqui a falar particularmente da etnia cigana. É verdade que em Loures há mais, com uma multiculturalidade grande, mas em Portugal temos uma cultura com dois tipos de coisas preocupantes: uma é haver grupos que, em termos de composição de rendimento, vivem quase exclusivamente de subsídios do Estado, outra é acharem que estão acima das regras do Estado de direito.»

Afinal a etnia cigana existe ou não? Vive quase exclusivamente de subsídios ou não? São perguntas que um adulto mentalmente equilibrado poderia fazer. Outro poderia contra-argumentar suportado em palpites, factos ou estatísticas ou o que lhe desse na realíssima gana.

O que fez a candidatura do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Loures? «Apresentou, esta segunda-feira, uma queixa-crime ao Ministério Público e à Ordem dos Advogados contra o candidato do PSD/CDS-PP/PPM, devido a referências discriminatórias dirigidas à comunidade cigana.»

Alguns comentadores encartados, como Daniel Oliveira, arremessam-nos o sofisma de quem critica o politicamente correcto não aceita a liberdade de expressão e o contraditório. Se ele não consegue melhor argumento, seria melhor reformar-se da comentadoria. Não me dei conta de alguém apresentar, ou sequer ameaçar apresentar, queixa-crime contra um qualquer de entre a multidão de imbecis que promove as causas mais absurdas do portfólio de qualquer esquerdista vulgaris. Uma coisa é contraditar os desatinos, outra é tentar calar os desatinados.

De resto não adiantaria apresentar queixa-crime ao Ministério Público contra os berloquistas por querem calar os refractários ao pensamento único acusando-os de delitos de opinião. Os herdeiros de variados ismos (marxismo, bolchevismo, leninismo, esquerdismo infantil, marxismo-leninismo, trotskismo, estalinismo, luxemburguismo, maoismo et alia) e actuais representantes do esquerdismo senil são inimputáveis.

18/07/2017

Pro memoria (349) - Como um incêndio bastou para expor a falência de Marcelo, Costa & Geringonça, Lda.

«Passou o primeiro mês. Quase tão impressionante como a nossa capacidade de ainda nos chocarmos com o grande fogo do Pinhal Interior, é a incapacidade de conseguir respostas claras a perguntas simples sobre uma tragédia que matou 64 pessoas. Já passámos a idade da inocência, quando o Presidente da República dizia que “não era possível fazer mais” e o diretor-nacional da Polícia Judiciária apontava para a árvore onde caiu o raio fatal que ninguém viu, ninguém ouviu e nenhum satélite ou computador registou. Hoje não há dúvidas de que era possível ter-se feito muito mais, muito melhor. Até Marcelo já admitiu, em declarações à SIC, que o Estado falhou. As fragilidades ficaram à vista.

Já não há dúvidas sobre as falhas do SIRESP, ou sobre a fragilidade da estrutura operacional da Proteção Civil, cujos comandos distritais foram mudados dois meses antes dos fogos. O facto é que boa parte do que se sabe, só se sabe olhando para lá da cortina de fumo das explicações oficiais. O que se sabe não chega. É de uma fragilidade inadmissível.

Ontem à noite houve telejornais em direto de Pedrógão Grande, e lá ao longe via-se o fumo de novos incêndios, agora em Oleiros. E em Mangualde. E na Guarda. E em Alijó. E em Vila Nova de Foz Côa. Ao final da tarde de ontem, o presidente da câmara de Alijó afirmava que o fogo estava fora de controlo e acrescentou um apelo que mostra bem o que se passa no terreno: "Alguém que perceba de combate a incêndios tem de nos vir ajudar". Alijó declarou o estado de emergência municipal. Mangualde também. Casas, carros, animais, plantações e florestas foram devastados. A A25 chegou a estar cortada, mas esta manhã todas as vias cortadas estavam reabertas. No Público, Manuel Carvalho explica por que razão "o Governo não vai poder desvalorizar o incêndio de Alijó com a mesma negligência com que menorizou o assalto em Tancos".

O SIRESP, já se sabe, voltou a falhar - ou, na linguagem acética dos burocratas, "foram registadas algumas intermitências pontuais". António Costa, que foge de discutir o SIRESP como o diabo da cruz, voltou a apontar o dedo à PT/Altice, agora sem a nomear. É oficial: a empresa que era a festa do regime passou a besta do regime. “Fragilidade inadmissível”, disse o primeiro-ministro, sobre a rede da operadora de que deixou de ser cliente. Costa, que sabe o que fez quando era Ministro da Administração Interna, também sabe que a melhor defesa é o ataque: “Numa zona de grande densidade florestal, onde há elevado risco de incêndio, o sistema de comunicações de uma determinada companhia, que não vou dizer o nome para não me criticarem, assentar em cabos aéreos, e nessa rede circular não só a comunicação normal como a de emergência, expõe obviamente essa rede a uma fragilidade inadmissível”, disse. Não há como discordar. Infelizmente, esta evidência não ocorreu ao ministro que em 2006 adjudicou uma rede de comunicações de emergência a um consórcio que era servido por esta “companhia” que em zonas de “grande densidade florestal” estava dependente de “cabos aéreos”...»

Expresso Curto de hoje mostrando uma infrequente independência

TIROU-ME AS PALAVRAS DA BOCA: Os outros jogam ténis, Roger Federer respira

La souplesse elle-même
«A  diferença fundamental entre Roger Federer e os outros jogadores do planeta não é a mais evidente, ou seja, o facto de ele ganhar a maioria das vezes. Isso é um corolário, talvez uma coincidência, muitas vezes uma consequência lógica. A diferença real entre ele e outros, como todo mundo sabe, é que os outros jogam ténis, enquanto ele faz algo que tem mais a ver com a respiração, ou com o voo de aves migratórias, ou com a força renovada do vento de manhã. Algo escrito há algum tempo - inevitável -  no curso das coisas. Algo natural. Por acidente, Federer tem uma raquete na mão, mas, ao vê-lo jogar, muitas vezes esquece-se que isso é uma raquete e acaba por se acreditar que é uma espécie de pinça que os seres humanos tinham na origem, e que mais tarde nós perdemos porque é óbvio que era inadequada para a luta pela sobrevivência. Todos nós a perdemos, excepto ele, que, por razões obscuras (o carácter isolado da Suíça deve ter a ver com isso), emergiu ileso de séculos de mutação genética.»

Alessandro Baricco (de La Repubblica) em El País

DIÁRIO DE BORDO: Senhor, concedei-nos a graça de não termos outros cinco anos de TV Marcelo (40) - Guterrando

Outras preces.

Se não fosse este post do Blasfémias também não teria reparado que Marcelo exonerou o único militar até agora por ele nomeado para o lugar de secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional.

Tudo começou quando Antunes Calçada durante a apresentação de um livro de um outro militar disse o que foi interpretado pelos presentes (e os ausentes) como classificando o CEME Rovisco Duarte «sabujo para cima» para proteger o ministro Azeredo Lopes e «cão para baixo» ao demitir os cinco comandantes das unidades que tinham a responsabilidade pela segurança de Tancos.

Imitando o inimitável Guterres, «depois de ouvido o Governo», Marcelo produziu um despacho exonerando «Antunes Calçada do cargo de Secretário do Conselho Superior de Defesa Nacional». Porquê exonerá-lo do cargo se a criatura, segundo o despacho, o «exerceu com zelo, competência e dedicação»? O que mostra isto? Mostra que nos momentos de crise Marcelo é incapaz de decidir contra as pressões ou contra a corrente, sempre preocupado com a popularidade e com evitar a crispação.

Contem com ele para as selfies, os afectos, os beijinhos, os abraços e, last but not least, as intrigas. Não contem com ele para tomar decisões disruptivas que serão inevitáveis durante os quatro anos que lhe faltam de mandato, para já não falar no seu segundo mandato pelo qual disfarça mal ansiar.

17/07/2017

DIÁRIO DE BORDO: Camaradas paneleiros de todo o mundo uni-vos contra Gentil Martins

«Na festa do Avante de 2015, vários homossexuais foram espancados por seguranças do evento. Um destes homens foi agarrado e atirado para o interior de uma carrinha de apoio à festa. Nessa carrinha, foi insultado ("maricas", "paneleiro de merda", "porco"), humilhado e agredido com pontapés e murros. Até lhe apertaram o pescoço com uma corda. No meio desta humilhação, um dos capangas do PCP teve um momento de caridade e exigiu que se parasse com aquele tratamento propedêutico, visto que a vítima era um "camarada" e não um mero "paneleiro de merda". A resposta do líder do esquadrão de reeducação foi clara: "não há camaradas paneleiros". Esta cena não aconteceu no consultório de Gentil Martins neste fim-de-semana, mas sim na festa do Avante de 2015.

Nesta festa do Avante em particular e ao longo da história do Partido, ocorreram mais casos de homofobia primária e violenta (não é uma mera opinião), mas julgo que este caso chega para ilustrar o meu ponto: este acto de abjecta violência do PCP não gerou nem 10% da comoção coletiva gerada agora pelas declarações de Gentil Martins. Os indignados que agora pedem a cabeça do médico estiveram calados que nem ratinhos de laboratório perante a violência comunista. Se a memória não me falha, só este jornal pegou a sério no tema.

A discrepância dos critérios fala por si. Um partido de esquerda tem direito à violência homofóbica. Um médico católico não tem direito à sua opinião. É como se não existisse uma diferença moral entre um ato e uma palavra. Pior: é como se uma opinião de direita fosse muitíssimo mais grave do que um ato de violência da esquerda. Não é um caso isolado. O alegado "espaço público" português é uma escola de verão do BE ou um prolongamento da Atalaia. Estas ondas de indignação só ocorrem contra pessoas conotadas com a direita, Gentil Martins, Rui Ramos, Jaime Nogueira Pinto, este que vos escreve. Já as pessoas de esquerda podem mentir, insultar e até agredir, estão acima do bem e do mal. Se a cena de violência que descrevi tivesse ocorrido num comício da direita ou numa atividade da igreja, teria caído o Carmo e a Trindade. Como ocorreu no solo sagrado da Atalaia, nada se passou. Nada se passa. Não há, não houve, não haverá camaradas paneleiros.»

«Camaradas paneleiros», Henrique Raposo no Expresso Diário

Um dia como os outros na vida do estado sucial (32) - Tudo como dantes, quartel-general em Abrantes


«... no Alijó as chamas obrigaram à evacuação de uma aldeia. Um helicóptero caiu e houve casas e pessoas em risco. Hoje de manhã o fogo ainda não tinha sido extinto. E, adivinhem, o Siresp, o sistema de comunicações que nos custa 40 milhões de euros por ano, voltou a falhar.» (Expresso Curto)

Crónica da anunciada avaria irreparável da geringonça (92)

Outras avarias da geringonça.

Uma vez ou outra Costa deixa cair a máscara e deixa ver os seus tiques autocráticos, como a semana passada em que ameaçou veladamente a Altice e, assumindo a sua faceta de tele-evangelista, anunciou que já tinha feito a sua escolha do operador, não sem antes com um enorme descaro classificar de «irresponsável» a privatização da PT começada e acabada por governos do PS em que participou.

Depois de ter garantido que a solução para os «lesados do BES» do amigo Lacerda Machado não teria custos para os contribuintes, a semana passada o governo acabou a admitir o que antes tinha negado. Por falar em sem custos, já repararam que um dos milagres favoritos do socialismo indígena é criar soluções que não são pagas pelos que dela beneficiam mas por outros? Lembram-se como começaram e acabaram as SCUT?

Um exemplo de manobrismo que ameaça ser um tiro no pé é o caso da candidatura à Agência Europeia do Medicamento. Depois de um processo vergonhoso em que foi defendida a localização em Lisboa (por razões óbvias de dourar o brasão ao sucessor na câmara) e acabou no Porto, talvez porque pode ter-se percebido que a agência iria provavelmente parar a Lille, pelo que propor Lisboa ou Porto seria igual ao litro. Em qualquer caso, um inquérito aos 900 funcionários da Agência mostrou ser Lisboa a cidade preferida.

Manifestações de paranóia/esquizofrenia (21) - Não é uma anomalia, são duas anomalias: a homossexualidade e a paranóia

Homossexualidade: «uma anomalia, um desvio de personalidade», considerou Gentil Martins em entrevista ao Expresso.

Frequência da homossexualidade: uma percentagem variável segundo os inquéritos, os métodos, os países e as épocas, na maioria dos casos inferior a 5%.

Anomalia: «O que se desvia da norma, da generalidade»; «desvio do tipo normal; anormalidade».

«Estas declarações violam a deontologia médica e têm consequências negativas, graves, gravíssimas, se passam como "se nada fosse"» escreveu a deputada socialista e militante politicamente correcta Isabel Moreira, pegando fogo na pradaria das indignações.

Paranóia: «ocorrência de pensamentos delirantes, geralmente persecutórios, que levam o paciente a adoptar uma atitude de permanente desconfiança em relação aos que o rodeiam.»

16/07/2017

DIÁRIO DE BORDO: Roger Federer, oitavo torneio Wimbledon

La souplesse elle-même

ARTIGO DEFUNTO: Jornalismo de "referência" é o jornalismo de causas adoptado pelo jornal que se diz de referência (3)

Continuação de (1) e (2).

Deve haver um móbil para o Expresso gastar papel a inventar sucessores para Passos Coelho. Rui Rio, Relvas e vários outros já foram promovidos e quaisquer criaturas, a maioria ressabiada, que o jornalista de serviço veja como um inimigo de Passos Coelho na sombra tem assegurado tempo de antena no semanário de reverência, como Ferreira Leite, Sarmento Rodrigues e outros (ver a este propósito o artigo de Sebastião Bugalho no SOL aqui citado).

A coisa, de tão denunciada, é de uma bacoquice atroz. O último exemplo de promovido a sucessor ou a apoiante do sucessor é Luís Montenegro, a quem o Expresso concede uma entrevista de uma página em formato broadsheet broadshit. Por muito que Montenegro garanta que apoia Passos Coelho por «convicção, por entender que é o mais bem posicionado para ganhar pela terceira vez as legislativas e o mais bem preparado para ser PM».

Será verdade? Não necessariamente, mas, não sendo, seria estúpido Montenegro dizê-lo dessa forma clara e definitiva e ele não parece ser estúpido e sempre poderia manifestar um apoio vago utilizando uma fórmula ambígua. O que levará então o mesmo jornalista do semanário de reverência que entrevista Montenegro escrever na página seguinte «líder parlamentar passa o cargo ao braço-direito e posiciona-se para o pós-Passos»?

Só pode ser porque a criatura dispõe de uma invejável capacidade de ler mentes, porque a frase seguinte plena de insinuações é «Rio diz que PSD está "pior"», o que sugere que um jornalista que não entrevistou Rui Rio e sabe que ele acha que está "pior", também é capaz de entrevistar Montenegro e concluir que pensa o contrário do que diz, concordando com Rio, e por isso se posiciona para o pós-Passos.

Como, em minha opinião, Passos Coelho foi um primeiro-ministro que não mostrou estar à altura das reformas indispensáveis que o seu governo deveria ter adoptado e não adoptou e como presidente do PSD não está a mostrar estar à altura de liderar a oposição à geringonça, estas manobras dos spin doctors de trazer por casa que elegem Passos Coelho como o inimigo principal a abater para dar lugar a um qualquer Rio. levam-me a pôr em dúvida  a bondade da minha opinião. Afinal, quem sabe?, talvez Passos Coelho seja o líder menos mau possível para a oposição.

15/07/2017

CASE STUDY: Não deixem que os factos atrapalhem uma boa ideia (2)

Na newsletter The Economist Espresso do sábado anterior podia ler-se o seguinte:

Grey, set and match: tennis

As Wimbledon kicked off this week, all eyes were on the sport’s “Big Four”. Will Roger Federer, the oldest of the pack at 35, win his eighth title? Or will the champion be Andy Murray (30), Rafael Nadal (31) or Novak Djokovic (30)? The men’s top-40 list has never been so aged: more than half are in their thirties and there is not a single teenager. At Wimbledon last year a record 49 players in the men’s singles were 30 or over. Many remember teenage wonders such as “Boom Boom” Boris Becker—17 when he nabbed his first Wimbledon title—and Monica Seles, who by 19 had won eight Grand Slams. Some say the game has simply become more strength-based, disadvantaging lanky teens. Others blame money’s effects. With dieticians, physiotherapists and other gurus now a standard part of top players’ entourages, it’s hard for any youngsters without deep pockets to catch up.

Como praticante acidental, interessado no ténis e propenso a estabelecer padrões a partir da observação empírica, a explicação «the game has simply become more strength-based, disadvantaging lanky teens» pareceu-me simplesmente bullshit. Fiz um pequeno exercício e aqui ficam as conclusões.

Os cinco primeiros do ranking ATP: idades, alturas e pesos, médias e lankiness (um índice que acabei de inventar = altura em cm / peso em Kg)

1 Murray 30 anos 1,91m 84kg
2 Nadal 31 anos 1,85m 85kg
3 Wawrinka 32 anos 1,83m 81kg
4 Djokovic 30 anos 1,88m 77kg
5 Federer 35 anos 1,85m 85kg
Média 31,6 anos 1,86m 82,4kg
Lankiness  2,25

Os cinco seguintes com menos de 22 anos: os mesmos dados
12 Zeverev  20 anos 1,98m 86kg
20 Kirgios 22 anos 1,93m 85kg
34 Khachanov 21 anos 1,98m 88kg
49 Medcedev 21 anos 1,98m 82kg
50 Edmund 22 anos 1,88m 83kg
Média 21,2 anos  1,95m 84,8kg
Lankiness  2,30

Da diferença de idades de 10 anos resulta uma diferença irrelevante de 0,05 de Lankiness. 

Em conclusão, no melhor pano cai a nódoa e os factos alternativos infectam todos os mídia, em coisas inócuas como esta e especialmente em outras menos inócuas.

LA DONNA E UN ANIMALE STRAVAGANTE: Para tirar os trapinhos qualquer causa é boa (22) - Será do clarinete?

Outros trapinhos tirados.

Desta vez calhou ao Woody