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27/02/2008

É mais certo do que a chegada da Primavera

Os bancos começam a anunciar os resultados, mesmo quando são relativamente menos pletóricos como este ano, e começam os coros. São uns a protestarem, deixando perceber que vêem os lucros intrinsecamente como a incarnação do mal absoluto, condenáveis e ilegítimos. São outros a regozijarem-se com a pletora, deixando perceber que vêem os lucros intrinsecamente como a incarnação do bem absoluto, sempre justificáveis e legítimos.

É uma discussão um bocadinho tonta, porque afinal os lucros são apenas a remuneração do capital e do risco. Se são insuficientes, o negócio não tem sustentabilidade e só sobreviverá à custa de subsídios. Se são continuadamente superiores às rentabilidades médias, isso significa que o mercado não está a funcionar porque existem barreiras à entrada de novos operadores ou/e porque existe um cartel espontâneo ou legal. O resultado, em ambos os casos, é uma ineficiente alocação de capital.

Não se percebe o fundamento dos argumentos do tipo: os bancos têm lucros escandalosos; é preciso fazer alguma coisa (o quê, nunca é dito, talvez a nacionalização, ou a fixação administrativa dos juros e do preço dos serviços financeiros). Como também não se entende o fundamento dos argumentos do tipo: é melhor os bancos ganharem muito dinheiro do que perderem. Na verdade, em certas circunstâncias e por várias razões, seria melhor para os mercados que os bancos perdessem. Por exemplo, porque, como lembrou o trader que vendeu o iate e o jacto, citado pelo Impertinente ontem, «if you don't get sucker-punched every once in a while, you don't understand what risk is».

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