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27/05/2010

AVALIAÇÃO CONTÍNUA: A realidade financeira virtual não tem becos nem paredes

Secção Com a verdade me enganas

Fernando Ulrich, presidente do BPI, é um homem com reputação de falar claro ou, como ele diz, falar de forma «rústica», ou como a ele se referiu João Salgueiro no mesmo dia, um homem que não varre o lixo para debaixo do tapete, como costumam fazer os seus colegas banqueiros. À sua maneira rústica Ulrich avisou que «o dia em que batermos na parede não está muito longe. Talvez por semanas. E bater na parede significa, por exemplo, a intervenção do FMI».

Ricardo Salgado, o chefe dos Espíritos, seguramente não é rústico. Pelo contrário, o seu discurso é tão elaborado, ambíguo, redondo e cinzento que tanto pode significar uma coisa como o seu contrário. A não ser, como foi agora, quando no seu papel de banqueiro do regime se assume como bombeiro dos fogos ateados pelas palavras «incendiárias» (Sócrates dixit) de Ulrich. Neste caso, ele foi claro a garantir que «não estamos num beco sem saída, nem vamos contra a parede». Só não explicou como essa garantia resulta duma situação que segundo as suas próprias palavras se caracteriza pelo mercado interbancário fechado pelo que «se formos agora buscar financiamento de médio e longo prazo, com estes spreads, não conseguimos financiar a economia».

Quatro afonsos atrasados para Fernando Ulrich, pela tesura, e cinco urracas para Ricardo Salgado, pela falta dela; já que estou com a mão na massa leva também quatro chateaubriands por imaginar que modifica a realidade com o discurso (vê-se logo que está condenado a entender-se bem com José Sócrates).

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