Our Self: Um blogue desalinhado, desconforme, herético e heterodoxo. Em suma, fora do baralho e (im)pertinente.
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Pensamento em curso: «Em Portugal, a liberdade é muito difícil, sobretudo porque não temos liberais. Temos libertinos, demagogos ou ultramontanos de todas as cores, mas pessoas que compreendam a dimensão profunda da liberdade já reparei que há muito poucas.» (António Alçada Baptista, em carta a Marcelo Caetano)
The Second Coming: «The best lack all conviction, while the worst; Are full of passionate intensity» (W. B. Yeats)

05/12/2010

BLOGARIDADES: zelo escarafunchante

Por uma questão de higiene mental, não costumo frequentar o blogue jugular, nem muitos outros da mesma família. Não tem a ver com princípios, nem com a doutrina predominante nesses blogues. É mais a atitude, o jacobinismo doentio que os ensopa. Por isso, só cheguei ao post «cavaco vintage» da dona Fernanda Câncio via um link.

Sem surpresa, o post é uma coisa doentia. Um escarafunchar pidesco da ficha da PIDE de Cavaco Silva. Revela mais de quem escarafuncha do que do escarafunchado, uma pessoa conformada e integrada no regime como 99% dos portugueses que viveram durante a ditadura. À conformidade com que conviveu com a ditadura sucedeu-se a adesão à democracia, como 99% dos portugueses. Muito mais do que Cavaco, multidões de portugueses conformados (e até colaboracionistas com o regime) converteram-se tão surpreendente, súbita e entusiasticamente nos meses seguintes, durante o PREC, deixando o país tão coalhado de norte a sul de revolucionários, que eu ainda hoje não percebi como a ditadura sobreviveu 48 anos sem grandes perturbações.

É um desperdício de zelo escarafunchante, muito melhor empregado no atoleiro que submerge a governação portuguesa dos últimos anos.

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