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12/05/2014

Estado empreendedor (82) - o aeroporto que só abre aos domingos (5)

[Continuação de outras aterragens: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui]

Notícia de hoje da TVI que num país normal determinaria a inimputabilidade e consequente hospitalização do Dr. Pita Ameixa:

«O deputado do PS Pita Ameixa questionou esta segunda-feira o Governo sobre o interesse dos Estados Unidos da América (EUA) na Base Aérea de Beja, exigindo que novas utilizações da infraestrutura «não ponham em causa» o desenvolvimento do aeroporto.

Numa pergunta dirigida ao ministro da Defesa Nacional e enviada à agência Lusa, o deputado quer saber se o Governo «confirma o interesse» e «em que termos» dos EUA na Base Aérea n.º 11, onde, «à parte», está instalado o aeroporto de Beja.

«Ainda que incrivelmente desprezado pelo Governo», o aeroporto de Beja «pode vir a ter, no futuro, um alto significado e grande impacto no desenvolvimento económico-social» da região, frisa Pita Ameixa, perguntando se o Governo «garante que novas utilizações militares» da Base Aérea n.º 11 «não contendem com o desenvolvimento do aeroporto».»

Recapitulação da saga do aeroporto que só abre aos domingos:

Ao princípio era o verbo do Eng. José Sócrates: mais de um milhão de passageiros até 2015 e o investimento seria recuperado nos 10 anos seguintes. Era o multiplicador socialista a funcionar de acordo com o estudo «Plano Regional de Inovação do Alentejo» da autoria de Augusto Mateus – um ex-ministro socialista da Economia do 1.º governo de Guterres que nos últimos tempos tem tentado sacudir a água do capote dos seus estudos «multiplicativos».

Hoje o aeroporto de Beja é o desastre que qualquer alma com um módico de realismo anteciparia: 1.200 passageiros este ano à razão de 4 por dia. Desastre que qualquer observador mesmo a muitas horas de voo, como o euobserver.com, percebeu perfeitamente e escreve uma notícia com título, onde só a interrogação está a mais, que dispensa o texto - «Beja airport: A runway to nowhere?» Isso não impede o presidente da câmara de Beja de continuar a delirar (veja-se a partir do minuto 2 este vídeo).

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