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22/03/2017

Bons exemplos (118) - Em defesa do Jero

Nós, o povo, estamos a ser vítimas de novo de um tsunami de indignações a pretexto do ministro holandês das Finanças e presidente do Eurogrupo ter insinuado que nos países do Sul da Europa se gasta o dinheiro em álcool e mulheres, o que, como sabemos, infelizmente não é verdade. Antes de condenarmos a criatura leia-se o que ele disse na entrevista ao Frankfurter Allgemeine Zeitung, segundo o Observador:
«O pacto na zona euro baseia-se na confiança. Com a crise do euro, os países do norte na zona euro mostraram a sua solidariedade para com os países em crise. Como social-democrata considero a solidariedade extremamente importante. Mas quem a exige, também tem obrigações. Não posso gastar todo o meu dinheiro em álcool e mulheres e continuar a pedir ajuda. Este princípio aplica-se a nível pessoal, local, nacional e, inclusivamente, europeu.»
Em primeiro lugar, Jeroen Dijsselbloem fez uma espécie de declaração de princípio acerca das suas próprias despesas o que é de louvar, sobretudo sendo nacional de um país onde copos e mulheres se encontram frequentemente juntos.


Em segundo lugar, pergunto, como podem indignar-se com tal coisa os nacionais de um país que para caracterizar um tipo folgazão muito comum entre nós lhe associam a expressão «putas e vinho verde»? Não podem. Suspeito, aliás, que a maioria da população não se sentiu ofendida pelo Jero e até subscreveria o que disse, pelo menos a nível pessoal, local, nacional - já quanto ao nível europeu a coisa fia mais fino, porque sacar dinheiro à Óropa desde há 31 anos é uma actividade meritória. Direi mesmo mais, suspeito que além dos políticos idiotas que julgam ser sua obrigação indignar-se a este propósito, só mariconços e mulheres frígidas (*) reagiram mal ao desabafo do Jero - uns e outras por despeito, claro.

(*) Em aditamento, permitam-me citar Pedro Arroja que explicou muito bem porque se indignaram certas mulheres: «If not for other reason, possibly because they cannot find a man who would spend money on them».

1 comentário:

Anónimo disse...

Curiosamente o parágrafo atribuído ao Observador apareceu, no dia anterior, no Espresso.
Ele há gente reles.